BR-364 sob Tensão: Retomada de Pedágio em Rondônia Alimenta Revolta Popular; Veja Vídeo
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A rodovia federal BR-364, principal artéria logística de Rondônia, tornou-se o epicentro de uma crise social e econômica nesta semana. Após uma breve suspensão judicial, a cobrança de pedágio pela concessionária Nova 364 foi restabelecida à zero hora desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. A decisão, proferida por um desembargador federal, derrubou a liminar que impedia a taxação, inflamando novamente o ânimo de moradores, produtores rurais e transportadores que classificam as tarifas como as mais abusivas do território nacional.
O descontentamento da população rondoniense fundamenta-se na disparidade entre o custo cobrado e a infraestrutura entregue. Historicamente apelidada de "rodovia da morte" devido ao alto índice de acidentes e à precariedade do asfalto, a BR-364 permanece, em sua maior extensão, como uma via de pista simples. Para os críticos do modelo de concessão, a implementação de um sistema moderno de cobrança, o Free Flow, sem a contrapartida imediata de duplicação das vias, representa um ônus desproporcional para o cidadão e para o setor produtivo.
Estrutura Tarifária e Impacto Financeiro
O sistema de cobrança eletrônica utiliza sete pórticos distribuídos estrategicamente entre Porto Velho e Vilhena. Diferente das praças tradicionais, o motorista não para em cabines; a identificação ocorre via TAG ou leitura de placa. No entanto, a agilidade tecnológica não ameniza o impacto no bolso. Um veículo de passeio que atravessa o estado desembolsa cerca de R$ 37,80, enquanto caminhões de carga pesada enfrentam custos que podem ultrapassar a marca de mil reais em trajetos de ida e volta.
Categoria de Veículo
Eixos
Valor por Pórtico (R$)
Automóvel, Caminhonete e Furgão
2
5,40
Caminhão Leve e Ônibus
2
10,80
Automóvel com Semirreboque
3
8,10
Caminhão com Reboque (Pesado)
6
32,40
Caminhão com Reboque (Extra Pesado)
8
43,20
"É inadmissível pagar o pedágio mais caro do Brasil em uma rodovia que ainda ceifa vidas diariamente por falta de duplicação. O custo de produção em Rondônia está sendo asfixiado por essa concessão precoce", afirma um representante da Aprosoja-RO, uma das entidades que encabeçaram as ações judiciais contra a cobrança.
Batalha Judicial e Mobilização Social
A trajetória da cobrança tem sido marcada por reviravoltas nos tribunais. No final de janeiro, a Justiça Federal chegou a suspender as tarifas após manifestações que bloquearam trechos da rodovia em cidades como Ariquemes e Cujubim. A alegação das entidades autoras, incluindo partidos políticos e associações do agronegócio, era de que houve falhas no processo licitatório e antecipação indevida da cobrança antes da realização de melhorias essenciais de segurança.
Contudo, a liminar foi revogada sob o argumento técnico de preservação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária defendem que os investimentos previstos para os próximos anos — que incluem manutenção pesada e serviços de socorro médico e mecânico 24 horas — dependem diretamente da arrecadação iniciada.
Perspectivas Econômicas
O impacto da tarifa já é sentido no preço final dos produtos. Estimativas do setor agrícola apontam um acréscimo de até R$ 4,00 por saca de soja transportada até o porto de Porto Velho. Para os moradores das cidades cortadas pela rodovia, o pedágio tornou-se um "muro invisível" que encarece o deslocamento básico entre municípios vizinhos. Enquanto a bancada federal de Rondônia promete novas frentes de negociação em Brasília, o clima na BR-364 permanece de vigília, com novas ameaças de paralisações por parte de movimentos sociais e caminhoneiros autônomos.