Psicopata que matou namorada e arrastou corpo pelas ruas em cidade de MT admite: “Errei e tenho que pagar pelo que fiz”
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop condenou o acusado a 19 anos e dois meses de reclusão
Wellington Honorato dos Santos, acusado do feminicídio de Bruna de Oliveira, de 24 anos, confessou o crime ocorrido em junho de 2024 e pediu perdão aos familiares da vítima. Ele foi julgado ontem (terça-feira, 27) pelo Tribunal do Júri de Sinop, cidade a 500 km de Cuiabá, em Mato Grosso.
"Errei e tenho que pagar pelo que fiz", declarou o acusado, chorando diante dos jurados. Ele admitiu ter matado a namorada e arrastado o corpo dela por cerca de 400 metros, preso a uma corrente acoplada em sua motocicleta, até uma valeta no Parque Florestal
Wellington tentou justificar a violência alegando estar sob forte efeito de entorpecentes e que teria sido ameaçado pela vítima, que supostamente dizia pertencer a uma facção criminosa. "Ela ficava falando de facção e que iria chamar os irmãozinhos dela, e eu quebrei o pescoço dela", afirmou.
Questionado sobre o fato de a vítima ter sido degolada, ele alegou lapsos de memória.
"Não me lembro de ter cortado, o corpo acabou caindo e sendo arrastado enquanto eu seguia com a moto", disse, tentando atribuir o corte profundo no pescoço ao atrito com o asfalto.
O irmão da vítima, Bruno de Oliveira, também prestou depoimento e detalhou sobre o dia do crime, bem como sobre o encontro do cadáver do corpo de Bruna. Ele relatou ter ido à quitinete da familiar e encontrado o local vazio, com marcas de sangue e sinais de limpeza apressada. Após buscas por conta própria em uma área de mata, ele localizou a irmã.
"O corpo dela estava todo rasgado", desabafou Bruno.
A avó de Bruna, Zulmira da Rosa, também foi ouvida e rebateu a narrativa do réu sobre o comportamento da neta, destacando que ela era uma mãe dedicada.
"Ele sabia que ela tinha as três meninas. Quero que ele pague pelo que ele fez".
A investigação da Polícia Civil, detalhada pelo investigador Reuber Gallio, aponta que o desentendimento fatal teria começado pela recusa de Bruna em vender um ventilador novo para que Wellington comprasse drogas. Câmeras de segurança de uma igreja registraram o momento em que o réu conduzia a moto arrastando a vítima pela corrente.
CONDENADO
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop condenou o acusado a 19 anos e dois meses de reclusão, em regime fechado, além do pagamento de 15 dias-multa. Após a leitura da sentença, a defesa de Wellington anunciou que irá recorrer da decisão, focando especialmente na dosimetria da pena.
Os advogados reforçaram a tese de inexistência da qualificadora de motivo fútil, que foi sustentada pelo Ministério Público com base em uma discussão entre o casal pela venda de um ventilador para a compra de drogas. Segundo a defesa, embora concordem com a condenação pela ocultação de cadáver, admitida pelo réu em depoimento, o agravante do motivo fútil não teria respaldo técnico para ser mantido na pena final.
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FONTE: FOLHA DO SUL ON LINE