Foragido pelo crime de chacina em Vilhena , líder da LCP é morto pelo Bope de Rondônia no Mato Grosso

Adelino Gonçalves Calheiro, 43 anos, conhecido como "Flecha" e apontado como um dos líderes do movimento Liga dos Camponeses Pobres (LCP), foi morto em uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na manhã desta sexta-feira (23) no Assentamento Pari, zona rural de Alto Paraguai, a 218 km de Cuiabá (MT). O suspeito, natural de Rondônia, possuía um extenso histórico criminal, com dois mandados de prisão em aberto e investigações por envolvimento em três homicídios consumados, duas tentativas de homicídio e um estupro, conforme informações divulgadas pela Polícia Militar.
Detalhes da Operação Policial
A ação que culminou na morte de Calheiro foi deflagrada por volta das 6h18, sendo o resultado de um trabalho de inteligência policial e de um Acordo de Cooperação firmado entre forças de segurança de vários estados. A operação em Alto Paraguai contou com o apoio direto do Bope.
De acordo com o relato da Polícia Militar, os agentes se identificaram no momento da abordagem e emitiram ordens de rendição ao suspeito. Contudo, Adelino Gonçalves Calheiro teria reagido de forma agressiva, ignorando as repetidas ordens e apontando uma arma de fogo em direção aos policiais. Diante da ameaça iminente, os agentes reagiram, atingindo "Flecha" na região axilar esquerda.
O suspeito chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital de Alto Paraguai, onde recebeu cuidados médicos, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
No local da ocorrência, os policiais apreenderam uma pistola Glock calibre 9mm com a numeração suprimida, 16 munições, além de uma mochila camuflada que continha mais 56 munições e uma camisa camuflada, material frequentemente utilizado para ocultação em áreas de mata.
Na residência, também foram encontradas duas mulheres, incluindo a esposa do suspeito e uma idosa, que foram conduzidas à delegacia para os procedimentos legais cabíveis. Um veículo Toyota Hilux de cor cinza chumbo foi apreendido e colocado à disposição da autoridade competente.
Histórico Criminal e Ligação com a Chacina de Vilhena
A operação que resultou na morte de "Flecha" foi desencadeada após um trabalho de inteligência policial registrado no município de Machadinho do Oeste (RO), onde, em uma operação anterior, foram apreendidos armamentos de grosso calibre, coletes balísticos, munições, motocicletas e rádios comunicadores, evidenciando o alto grau de organização do grupo criminoso ao qual Adelino pertencia.
O nome de Adelino Gonçalves Calheiro, o "Flecha", também está ligado à Chacina da Fazenda Vilhena, ocorrida em outubro de 2021, que resultou na morte de cinco pessoas em Rondônia.
Em uma entrevista coletiva concedida na época, o delegado titular da Delegacia de Homicídios de Vilhena, Núbio Lopes de Oliveira, acompanhado por outras autoridades, anunciou a conclusão da primeira fase da investigação sobre o caso. Naquela noite, foram brutalmente assassinados o fazendeiro Heládio Cândido Senn, conhecido como “Nego Zen”, sua esposa Sônia Maria Biavatti, e mais três pessoas: Dhonatas Rocha Borges Reis, Oederson Santana, o “Neguinho Motoca”, e Amagildo Severo, o “Lagoa”.
A investigação elucidou a autoria e participação nos homicídios, resultando no indiciamento de cinco pessoas. Dois dos indiciados, Jefferson Pereira Ramos, o “Jairão”, de 28 anos, e Adelson de Oliveira, o “Erê”, 37 anos, já estavam presos. Outros três permaneciam foragidos: Wemerson Marcos da Silva, o “Preto”, 40 anos; Marcelo Costa Vergilato, o “Xiru”, 37 anos; e Suesi Marcelino Rocha, o “Papagaio”, 36 anos.
A Virada na Investigação
O ponto de virada na investigação ocorreu após a morte de Emanuel Flauzina França, o “Manelinho”, apontado como o líder do grupo que atacou a sede da Fazenda Vilhena. "Manelinho" foi morto pelo sogro em uma área de conflito em novembro de 2021.
Ao acompanhar os peritos criminais no local da morte de "Manelinho", policiais militares encontraram em seu "barraco" e arredores armas que pertenciam a “Nego Zen” e que haviam sido furtadas no dia da chacina. Entre as armas apreendidas, estavam uma espingarda calibre 12 e uma pistola 380, que seria de "Manelinho".
Exames de microcomparação balística realizados com os projéteis retirados dos corpos das vítimas comprovaram que ambas as armas foram utilizadas na matança. O perito criminal Eloísio Vinha confirmou que o ocorrido na Fazenda Vilhena foi uma execução.
"Fica claro que eles foram executados, ou seja, os quatro foram levados para aquele local; estavam uns próximos aos outros. E pela posição deles, pelo local e orientação das lesões, ficou claro que eles estavam de joelhos e com as mãos na cabeça. Inclusive, o ‘Lagoa’ tinha perfurações na região dorsal da mão, passando pela palma e entrando na cabeça", esclareceu o perito.
A morte de Adelino Gonçalves Calheiro, o "Flecha", em confronto com o Bope, encerra a trajetória de um indivíduo com alta periculosidade e com envolvimento em um dos crimes mais notórios da região de Rondônia.