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Eu vinha me rebolando pelos ares, sobre nuvens algodoadas, de Vilhena à Ariquemes, no último dia 13 de maio. Olhando sem nada ver aquele céu limpo, longe, onde vista não alcança e sem nenhum motivo, assim, como é tão livre, o entra e sai do pensamento. Entrou aquele besouro na cabeça: era o Claudiné de Almeida querendo falar comigo ou eu com ele.
E eu comecei a pensar nele.
A voz tem cara e a fisionomia dela se envereda por ruas e casas. A voz humana tem impressões vocais como as digitais. Ainda não sei porque ainda não se inventou a carteira de identidade pela voz. E assim, como gostaria de ter uma carteirinha com a voz de Claudiné de Almeida. Ele que foi o primeiro radialista de Ariquemes, que sempre tinha um jeito, por maior que fosse o defeito, para arrumar antenas, microfones, aqueles equipamentos de dentro do estúdio, os de fora também e não tinha jeito e nem defeito, ele estava lá com sua voz, na hora certa, dando os recados da cidade.
E o tempo, como sempre, cavalgando na rodada da noite e do sol, nem se importava, dia inteiro mandando músicas para os namorados, dizendo dos festejos da cidade, dos aniversários, e, entrevistando autoridades, que eram raras por aquelas bandas. Mesmo assim, em furos, punha vozes de cima para o povo ouvir.
E vieram os seus discípulos, que sempre de baixo iniciavam, que de tanto pegarem em fios e transmissores terminavam, um dia falando na rádio. As ondas da Rádio Ariquemes viajava bem longe. Meio do mato, linhas, sítios, fazendas, povoados, garimpos. Era a grande aventura do redescobrimento de um Brasil bem inesperado.
Dinheiro ele nunca teve, porque patrocinadores também não havia, até hoje, não sei, como de verdade ele vivia, quem sabe embebido no vício do rádio, que de certa forma, tem os seus milagres. Porque radialista, pelo tempo que vi, de tanto repetir, pega no ofício uma dependência, quem nem se internando em clínica de recuperação, não se cura.
O rádio vicia como o crack.
O outro vício do Claudiné era o cigarro, assim como o rádio, não tinha jeito de se livrar. Ele foi criando uma filharada de radialistas que estão, por aí, também na mesma condição dele. Hoje em dia, melhorados, porque patrocinadores surgiram a conta-gotas. Claudiné poderia ter sido professor de ética, de moral, de bons costumes. Nunca o vi nervoso, nem brigando, nem ofendendo ninguém. Tinha sempre um gesto reverente para todos, na feira, na rua, no mercado. Não fazia acusações banais a ninguém. A sua crítica era evidente, quando fosse necessária, impessoal. Foi assim que viveu o mestre Claudiné de Almeida.
Fonte: Confúcio Moura
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